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ARTIGO DA SEMANA


 

O Professor-Mendigo

José Neres

 

Quase sempre, quando se fala em ser (ou às vezes estar) professor, vem à mente de muitas pessoas a ideia de um profissional humilde, com baixíssimo salário, pouca perspectiva de melhorar de vida, etc. Talvez um mendigo graduado com curso superior.
Mas não é desse tipo de mendicância de que trato aqui nestas linhas que possivelmente serão lidas por uma quantidade mínima de bons e de boas amigas.
Mesmo merecendo bem mais do que recebe, o professor tem peregrinado constantemente por outro tipo de mendicância tão incômoda quanto a de esticar a mão em uma esquina na esperança de receber uns trocados, com a garantia de muitos "nãos".
Em muitos casos, o professor, e plena consciência de seu ofício tem pedido, clamado e até mesmo implorado para que seus alunos estudem, prestem atenção para as aulas, peguem um livro, façam suas anotações, exponham suas dúvidas... etc... etc... etc...
Seja em aulas presenciais, seja em aulas por mediação de computadores, tablets, celulares e demais aparatos tecnológicos, o professor tem vivido em uma espécie de solilóquio na qual muitas vezes nem mesmo o eco rouco e soturno das paredes tem chegado até ele.
Diante de microfones silenciados, câmeras desativadas, ouvidos e olhos vedados, cadernos quase virgens, livros sem marcas de uso e cobranças de todas as partes possíveis, o professor reza, ora, clama e suplica para que um de seus alunos saia da caverna metaforizada por Platão e faça pelo menos uma pergunta que o faça sentir vivo diante da frieza das máquinas. Ele sonha com o dia em que haja o tão esperado encontro entre pelo menos dois mendigos: um que mendigue o direito de ensinar e outro que mendigue o direito de aprender.
Quando será que esse encontro ocorrerá? Será que tem ocorrido e não temos notado? Ou será que tudo não passa de uma quimera?
Enquanto isso, na dúvida, o professor tenta curar suas necessidades mergulhando na ilusão de que tudo está bem neste tal de "novo normal", em que é tão normal um rico mendigo oferecer seu bem mais preciso e notar que conhecimento é um produto aparentemente descartável e fora de moda. Os valores são outros. As necessidades parece que são outras.
E a sociedade empobrece a cada dia. Mas o bom professor continuará mendigando por ouvidos e olhos que queiram ver além das aparências.

 

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José Neres

Natural de São José de Ribamar, passou a infância e a adolescência entre Brasília e Goiás. De volta a sua terra natal, dedicou-se ao estudo da literatura maranhense e da educação brasileira.

Estudou nas seguintes instituições de ensino:

  • Centro de Ensino Nº 02 - Gama (DF)
  • Centro de Ensino Estrela D'Alva - Luziânia (GO)
  • Escola Municipal Alceu de Araújo Roriz - Luziânia (GO)
  • Escola Domingos Perdigão - São Luís (MA)
  • Escola Técnica Federal do Maranhão - São Luís (MA)
  • Universidade Federal do Maranhão - São Luís (MA)
  • Universidade Cândido Mendes - Rio de Janeiro (RJ)
  • Centro Universitário Internacional (PR)
  • Pontifícia Universidade Católica - Belo Horizonte (MG)
  • Universidade Católica de Brasília - Brasília (DF)
  • Universidade Anhanguera-Uniderp (Campo Grande (MS)

Formação

  • Graduado em Letras (UFMA)
  • Graduado em História (Uninter)
  • Especialista em Literatura Brasileira (PUC-MG)
  • Especialista em Pedagogia Empresarial e Educação Corporativa (Uninter)
  • Especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Espanhola (UCAM)
  • Especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade (Uninter)
  • Mestre em Educação (UCB)
  • Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional (Uniderp)

OBRAS PUBLICADAS INDIVIDUALMENTE

 

Poesia - Negra Rosa e Outros Poemas; Poemas de Desamor; A Dor Sangra em Nossos Olhos

Teatro - A Mulher de Potifar; O Último Desejo de Catirina

Contos - 50 Pequenas Traições; Restos de Vidas Perdidas; Sombras na Escuridão, O gosto ácido da vida

Estudos Literários - Na Trilha das palavras, Pedra AnGullar

Estudos sobre Educação - Estratégias para Matar um Leitor em Formação; Lousa Rabiscada; Em Tempos de Twitter; Azulejos em Papel Jornal

 

ORGANIZAÇÃO DE OBRAS

Tábua de papel - Estudos Literários

O Século XX e a Literatura Maranhense - Estudos Literários (com Dino Cavalcante)

O Discurso e as Ideias - Análise do Discurso e Estudos Literários (Com Dino Cavalcante)

Os Epigramas de Artur - Estudos Literários (com Dino Cavalcante)

Projetos Integrados - Estudos Ambientais (com Nilzenir Ribeiro, Everaldo Almeida e Tatiana Bacelar)

Secretariar é uma Arte - Estudos acadêmicos (Com Nilzenir Ribeiro e Delcimara Caldas)

Maranhão na Ponta da Língua - Estudos sobre Linguagem (com Lindalva Barros)


Professor, pesquisador, escritor e membro da Academia Maranhense de Letras, cadeira 36; membro-correspondente da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes; membro-correspondente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames); membro eleito da Academia Ludovicense de Letras.